A volta para casa e o recomeço de Fernando Torres

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De volta à Espanha, Torres começa a reencontrar o bom futebol (Foto: EFE)
Um dos grandes atacantes dos anos 2000, Fernando Torres passou por altos e baixos desde que deixou o Atlético de Madrid, em 2007. Após grande passagem pelo Liverpool e muitas críticas ao futebol apresentado no Chelsea, o atacante espanhol seguiu outros rumos na carreira, que o levaram de volta ao clube do coração. Voltar para casa foi a melhor decisão que Torres poderia ter tomado naquele momento, e vem lhe trazendo bons frutos desde então.

El Niño, como é  conhecido pelos torcedores, chegou ao Atlético de Madrid com apenas 11 anos. Aos 16, já era profissional pelo clube, e aos 19, capitão. A identificação com o clube colchonero era mais do que visível, mas a fase do clube nem sempre ajudou em sua projeção – o Atleti foi rebaixado à Liga Adelante em 2000/01 e quase não participou de competições internacionais durante a primeira passagem do jogador pelo Vicente Calderón.

Em 2007, Torres chegou ao Liverpool por 35 milhões de libras, e alavancou sua carreira de vez. É verdade que os Reds, clube de enorme tradição em âmbito nacional e internacional, não ganharam nenhum título enquanto tiveram o espanhol em seu comando de ataque, porém, mais uma vez, a identificação com os torcedores falou mais alto, e a moral dentro do clube foi conquistada em questão de tempo. Em três anos e meio, foram 142 jogos e 81 gols, média de quase um gol a cada dois jogos. As participações eram sempre decisivas: gols em clássico contra Everton, Chelsea e Manchester United, além de tentos contra o antigo rival Real Madrid, pela UEFA Champions League

Torres em comemoração de gol contra o Real Madrid, em 2009 (Foto: INPHO/Getty Images)

Os anos em Anfield trouxeram, basicamente, sucessos internacionais para o atacante. Marcou o gol do título espanhol na Euro 2008, ajudou a levar seu clube às semifinais da Champions League e foi eleito o terceiro melhor jogador do mundo pela FIFA. O sucesso foi iminente, os títulos com o Liverpool faziam falta.

Por mais que o redator deste texto defenda o amor entre Torres e Chelsea, é sensato aceitar que ele nunca aconteceu. A contratação mais cara da história dos Blues pouco fez com a nova camisa, e não convenceu em seus três anos em Londres. A concorrência com Didier Drogba chegava ao nível da deslealdade, no bom sentido, uma vez que a idolatria do marfinense era incontestável, e sua vaga entre os 11 titulares era quase sempre certa. Nem mesmo a saída de Drogba impulsionou o futebol do espanhol, que se tornou um titular ineficiente e muito mais cobrado acerca de resultados.

A insatisfação chegou ao ponto de que Torres foi emprestado ao Milan, que acabou comprando-o em definitivo meses depois. Na Itália, foram apenas dez jogos e um gol, mas que levaram ao grande sonho do jogador: voltar para casa. Na virada de 2014 para 2015, Torres foi emprestado ao Atlético de Madrid, e não escondeu sua felicidade em voltar ao clube do coração: “Por fim, de volta à minha casa. Obrigado a todos que tornaram esse sonho possível “ - declarou em sua chegada.

Voltar a vestir a camisa vermelha e branca não era o suficiente para reviver a história construída. Aos 30 anos de idade, Fernando Torres chegava para disputar a titularidade com Mario Mandžukić, e provar que seu carinho naquele por aquele clube era recíproco. Resquícios da má fase ainda eram vistos em diversos momentos, com a confiança abalada e resultados não imediatos. Entretanto, o tempo de espera foi fundamental para um bom recomeço. É claro que os números ainda não são sólidos, tampouco agradáveis: já são 56 jogos na atual passagem, e apenas 11 gols.

De qualquer forma, os minutos em campo estão aumentando gradativamente, e do mesmo jeito que sua confiança pode estar voltando, a confiança de Diego Simeone nele pode estar crescendo. Visivelmente, Torres não voltou ao Atlético para encerrar a carreira. Ele quer voltar a ser grande, conquistar títulos pelo clube que ama, retornar à seleção e vencer novamente com ela. As Eurocopas de 2008 e 2012 se foram, assim como a Copa de 2010. Um bom jogador, com certeza, não vive de lembranças, e El Niño não é diferente. Ele quer voltar e muitos querem que ele volte, então acredite em Fernando Torres.

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