Leicester: a surpresa do ano
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| Vardy e Mahrez são resposáveis por 68% dos gols do Leicester. Fonte:Michael Regan/Getty Images Europe |
O
Leicester é a grande surpresa do futebol Inglês atualmente. Após uma intensa
luta contra o rebaixamento, os foxes
se reforçaram para a temporada 2015-2016. A diretoria apostou na contratação do
técnico italiano Claudio Ranieri, que já treinou grandes times como a Inter e a
Juventus. O treinador estava em baixa após sair do comando da seleção da Grécia
e muitos diziam que estava ultrapassado.
Um dos poucos fatores que contavam a favor, era sua familiarização com a Premier League, uma vez que teve uma passagem bem-sucedida pelo Chelsea no início
dos anos 2000.
Em
conjunto com a diretoria, Ranieri contratou jogadores experientes que chegaram
principalmente para suprir a deficiência no setor de marcação da equipe. Na
linha defensiva, Fuchs, Huth e Yohan Benalouane chegaram. No meio campo, Inler
e Kanté, e no ataque Okazaki. As contratações juntamente com mudanças táticas,
fizeram com que o Leicester figure hoje em primeiro lugar do campeonato mais
disputado do mundo, deixando para trás times com orçamentos muito maiores que o
seu, como Chelsea, Manchester City, Manchester United, Arsenal e Liverpool.
Indo
contra a febre do 4-3-3, Ranieri construiu um time na formação 4-4-2, com o
foco voltado para o sistema defensivo. O Leicester procura jogar o tempo todo no
erro do adversário, e se defende com oscilações entre linhas baixas e momentos
de pressão com linhas altas. Para isso, o time conta com Drinkwater e Kanté no
meio de campo que “mordem” a todo momento os adversários, além do combate dos
homens de frente, com destaque para Okazaki que constantemente pressiona a saída
de bola adversária. A linha defensiva se mostra muito segura com os experientes
zagueiros Huth e Morgan, e as laterais estão sempre bem protegidas, tendo em
vista que o lateral Simpson não sobe muito, e Albrighton está sempre auxiliando
Fuchs pelo lado esquerdo.
Já
na parte ofensiva, os Foxes usam o contra-ataque e a bola longa como sua
principal arma. Imediatamente quando recupera a bola, o time acelera o jogo com
o intuito de definir a jogada o mais rápido possível. O Leicester dispensa a posse
de bola, sendo o terceiro pior clube do
campeonato neste quesito. Ranieri pede para que seus jogadores explorem a
velocidade de Mahrez, Vardy e Okazaki com bolas longas, e que os jogadores
tentem sempre o passe vertical e arriscado. Por esse motivo, o Leicester tem a
pior porcentagem de passes certos do campeonato.
Mas
o esquema tático de Ranieri seria inafetivo sem o momento mágico da dupla
protagonista Vardy e Mahrez. Os dois foram garimpados pela diretoria a baixíssimo
custo anos atrás, sendo que Vardy jogava na quinta divisão inglesa e Mahrez na
segunda divisão francesa. Os dois juntos são responsáveis por 68% dos gols da
equipe, sendo Vardy o artilheiro do campeonato com 18 gols, e Mahrez anotou 10 assistências, o que o torna um dos
líderes neste quesito. Vale a pena lembrar também as belas atuações dos
coadjuvantes Albrighton e Kanté que são fundamentais para a dinâmica de jogo de
Ranieri.
O
Leicester é a prova prática que não é preciso gastar fortunas para se formar um
time para brigar na ponta da tabela. Outra lição que nos deixa, é que uma equipe
tem que reconhecer suas limitações técnicas e adaptar o estilo de jogo de
acordo com os jogadores que tem em mão, sem querer dar um passo maior que a
perna. E assim, reconhecendo seus limites e explorando seus potenciais, os foxes vão liderando a Premier League. O título ainda é difícil,
mas a Champions parece ser quase uma
certeza.
* Dados válidos até a 25ª rodada

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