A geração 7x1 vai se reerguer?

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Quem tanto humilhou os adversários, agora se vê no pior momento da história (Foto: Alex Livesey/Fifa)
A tão sonhada Copa do Mundo em casa chegou. Em um passe de mágica, o Brasil resolveu todos os seus problemas, começou a construir um estádio atrás de outro e prometeu a “Copa das Copas”. Pois bem, 2014 trouxe a “Vergonha das Vergonhas”, e digo apenas no sentido esportivo.

Tudo começa em 2013. Luís Felipe Scolari (quem diria) convoca 23 atletas que se tornam seus filhos. Preparados ou não, nada iria tirar alguém de lá. Vimos o “lateral” Jean, o “craque da época” Jadson, e os “homens-gol” Fred e Jô. O que parecia não dar certo, deu. Com o coração na mão e uma multidão nas arquibancadas, a seleção canarinho destruiu a temida Espanha e levou a Copa das Confederações.

Chegara o grande dia. Dentro do estádio mais suspeito de toda a Copa, o Brasil começou com decência o sonhado caminho do hexa. O elenco era praticamente o mesmo, e assim construíram esperança ao longo de junho de 2014. Até o dia 8 de julho, em Belo Horizonte. Rolava a bola para Brasil x Alemanha, semifinal da Copa do Mundo. Os 90 minutos seguintes ficam por conta do leitor.

A Copa acabou. O treinador caiu, muitos jogadores perderam toda a credibilidade com a camisa amarela. Recomeçava a “Era Dunga”, que, entre 2006 e 2010, teve seus altos e baixos, mas não admitia perder um amistoso e deixou a Copa da África praticando um futebol que agradava a muitos. Dunga ainda é inexperiente, mas parece ter noção do tamanho do problema chamado “futebol brasileiro”. Excluiu muitos nomes que já não tinham mais espaço no grupo, promoveu algumas ascensões muito importantes – Coutinho, Danilo, Lucas Lima, Willian (como peça-chave) – e consolidou a “Neymardependência”.           

Após o mundial, poucos gos marcados pela seleção não tiveram participação do camisa 10. Quando ele não estava em campo, o time não criava, não reagia, não ganhava. Um país que viu tantos times fantásticos ao longo da história não pode jogar todo o peso em um garoto de 23 anos. É preciso colocar os novos garotos para jogar, ensiná-los a vestir a camisa e mostrar por que o futebol do brasileiro foi respeitado por tanto tempo.

Aí entra um tópico muito importante. O Brasil tem um camisa 10, mas 23 jogadores. É necessário entender que Neymar não pode nem deve carregar uma seleção nas costas. Dessa forma, entraria o processo de reformulação que muitos adorariam ver, onde os “medalhões” ficam para trás e as verdadeiras promessas ganham espaço, desconsiderando o cunho imediatista.

Vamos a um exemplo: a escassez do camisa 9 é iminente. O atual dono da posição, Ricardo Oliveira, já chega aos 35 anos de idade, e dificilmente irá manter o ritmo até 2018. O que fazer? Variar! O próprio Neymar já jogou lá na frente; o contestado Hulk, que vem agradando, tem alguma capacidade para tal; Roberto Firmino também é outro nome já usado na posição; sem falar de Diego Tardelli, largado na China, onde nenhum prêmio vai valorizar o bom futebol praticado e que o levou à seleção.  A grande questão acaba sendo: qual é a melhor variação? Se um estilo não deu certo, trocar seis por meia dúzia jamais deveria ser a solução.

Se o ciclo de 2014 não jogou as Eliminatórias, o de 2018 irá. O novo time vai enfrentar o caldeirão da torcida argentina, a altitude dos jogos na Bolívia, a agressividade de uruguaios e paraguaios e a crescente do Chile. O time que ostenta cinco estrelas no peito precisa passar por cima de tudo isso, com um sorriso no rosto e a bola no pé. Não vamos falar de CBF ou de corrupção da Copa, não agora. Pelo futebol, aquele esporte que nasce todo dia ao lado de um brasileiro, é preciso se reerguer.

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